“Eu devo tudo à língua portuguesa”, diz influenciador e Youtuber Felipe Neto 


Uma série de marcos define o influenciador digital brasileiro Felipe Neto. De origem luso-brasileira, ele é um dos maiores Youtubers do globo com mais de 45 milhões de inscritos no canal, que fundou em 2010. 

Há dois anos, a revista Time elegeu Felipe Neto uma das “100 pessoas mais influentes do mundo” e desde então, ele vem se dedicando a pautas políticas e humanitárias como o combate ao discurso de ódio, à desinformação e à literacia na internet para adolescentes e jovens. 

“Língua linda, fantástica”  

A ONU News conversou com Felipe Neto para o seu novo programa de TV gravado nesta semana da língua portuguesa e perguntou a ele qual é o papel do idioma falado por mais de 285 milhões de pessoas em quatro continentes. 

Contato com o público ensinou Felipe Neto a lidar com desafios na interação

Contato com o público ensinou Felipe Neto a lidar com desafios na interação

“Eu devo tudo à língua portuguesa. Porque os números que foram alcançados pelo meu canal no YouTube, principalmente em português, são até difíceis de acreditar. Em 2020, eu fui o segundo Youtuber mais assistido do planeta. O número naquele ano foi, se eu não me engano, mais de 5 bilhões de visualizações, e ele é meio incompreensível. O primeiro lugar era em inglês foi o “PewDiePie” naquele ano. Do terceiro ao décimo lugar eram todos ou em espanhol ou em inglês. Não tinha nenhum em português na lista dos 50 ou 60. A gente tem uma língua que é linda, fantástica e maravilhosa que eu amo de paixão, mas que não é tão falada quanto o espanhol, o inglês e o mandarim ou outras línguas.” 

Felipe Neto exalta uma língua viva e dinâmica. 

Para ele, o português é hoje um dos idiomas com espaço nas plataformas digitais, apesar de haver outros mais usados em interesses e setores como turismo ou tecnologia. 

“O ponto de partida do português está muito abaixo dessas outras duas línguas, mas o povo…não existe nada igual. Eles me proporcionaram números que são completamente fora da realidade. Durante esse ano de 2020, foi o ano da pandemia também é importante ressaltar que todas as audiências de entretenimento foram explosivas, foi o ano em que as pessoas ficaram em casa. Eu tive em média 35 milhões de pessoas diferentes assistindo o meu canal por mês. Isso dá mais de 10% das pessoas que falam português no planeta. Estou falando de pessoas diferentes assistindo ao meu canal, por mês. Esses números para mim são absurdos. Eu devo tudo na minha vida a nossa língua. Tudo. Eu sou um grande admirador.” 

Extremo preconceito linguístico 

O contato com o público ensinou Felipe Neto a lidar com desafios na interação. Houve que ultrapassar o que chama de extremo “preconceito linguístico que se tem com relação a uma língua em evolução”.  

“Então é importante a gente diminuir o preconceito linguístico. Óbvio, ensinar que existe a norma culta da língua, principalmente para testes, provas, para você demonstrar conhecimento da língua, para você também mostrar que você lê e que estuda. É importante, principalmente na norma acadêmica, como exigência. Mas,  não ter preconceito e não agir com inferiorização e, principalmente, quando é uma pessoa que não tem acesso à educação que você teve. Não tem nada pior do que você ridicularizar uma pessoa que não teve acesso à educação como você teve e você diminuí-la porque ela escreve de uma maneira diferente da sua.” 

A íntegra da entrevista com o influenciador Felipe Neto vai ao ar em 12 de maio, na segunda edição do Podcast ONU News, que estreia neste Dia Mundial da Língua Portuguesa, em 5 de maio. 

O primeiro convidado será o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. 



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